Depois do cartaz dos Gato Fedorento, por acertado e relevante e muito mais que fosse, fica a dúvida: será que só a direita é ridícula e risível? Porque é que, com a excepção da Contra Informação e o Inimigo Público (e mesmo esses têm dias), ninguém parece fazer humor anti-esquerda?
A esquerda é um poço sem fundo de humor de alto nível: os chavões do costume, a negação da queda da cortina de ferro, tanta coisa! E o meu “amigo” preferido, o “frei” Francisco Louçã, com a sua oratória de tele-evangelista! Como é que ninguém ousa perguntar ao Chiquinho como é que ele vai parar as deslocalizações de grandes empresas? Não é imoral vir “pregar” para a entrada de fábricas em agonia de falência, dizendo que se tem a solução, quando ela não é assim tão simples? Mesmo porque se fosse assim simples, podia dar a receita!
O que é que há de errado com os patrões/empresários/investidores? São exploradores da pobre massa proletária? Não se pode virar a mesa e dizer que os trabalhadores sugam o dinheiro do patronato em reivindicações e direitos mais ou menos adquiridos e coçar a tomatada em horas de trabalho? Ah, pois: isso é discurso de direita! E a direita é para rir e apupar, não para apoiar. Então porque é que os Comunistas nunca tiveram expressão democrática de jeito???
Como sou muito democrática (ou pura e simplesmente do contra), junto com a crítica dos sites de extrema-direita e salazaristas e moralistas bafientos, proponho-me a também criticar a esquerda cunhalista, moralista bafienta e de disco riscado. Está bom de ver que tenho muitos amigos!
Depois do absolutamente genial pedaço de humor dos Gato Fedorento, chega o anti-clímax, aquilo que não tem piada nenhuma: os meus quatro felinos de 2 patas preferidos (lamento, prefiro ainda assim os de 4 patas) estão ameaçados por uma extrema-direita que não tem sentido de humor.
Quem começa a não ver piada em nada disto sou eu, que na minha inocência não acreditava que existisse malta de extrema-direita, e muito menos da minha geração (a mesma que a dos gatos). Ou que se resumiam a meia dúzia de tipos, possivelmente filhos de pides e pais com stress pos-traumático da guerra colonial ou descolonização. Afinal, continuamos (atenção, falo por mim!) tão ignorantes como no tempo do outro senhor! E desta vez não porque o senhor nos proteja das más notícias e da 2ª guerra mundial (embora nos tenha empurrado para uma guerra colonial, mas isso pelos vistos não interessa), mas porque não queremos ver.
Fosse eu do SIS, começaria por investigar os blogues dos fascistas a sério ou a brincar. Como não sou, tomei por missão listar esses “amiguinhos” e indicar onde se localizam nos vários blogues a que aceda. Por masoquismo puro e simples, mas também por um acordar que é necessário. Vivemos num mundo violento, quer queiramos quer não. Sempre vivemos, e sempre vivemos com isso. Mantendo o optimismo e uma atitude de temperar os extremismos, temos que saber que eles existem, onde estão, a que se devem. Qualquer má estratega de guerra sabe que não conhecer o inimigo é a melhor maneira de perder uma guerra. Também qualquer um sabe que não se vence verdadeiramente ninguém pela força, senão temporariamente. Temos que conquistar o coração dos inimigos, fazendo-os aliados da nossa causa. A conquista mais difícil é essa.